quinta-feira

APENAS MAIS UMA DE AMOR...

Este é um post diferente do que estou acostumada a escrever pois é uma história que escreve esta noite. Ela é apenas uma ficção.

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Aos 35 anos ela tinha tudo que ela sempre quis: uma casa bonita e espaçosa, carro do ano, amigos divertidos e interessantes, um emprego onde todos respeitavam suas opiniões e idéias. A vida social dela era bem agitada e nunca havia algo chamado rotina. Durante o dia ela não parava quieta, estava sempre correndo, fazendo mil coisas ao mesmo tempo e sempre conseguia cumprir com os objetivos que ela propunha a si mesma. Quem não a conhecia bem diria que ela nunca tinha momentos ruins e que ela jamais teria motivos para ser infeliz.

Ela nunca soube precisar quando tudo começou, ela apenas vivia daquela forma. Nunca se apaixonar e nunca se relacionar com a mesma pessoa por mais de 6 meses. Inicialmente ela pensou que esta era a melhor forma de não se machucar e não se decepcionar, que este tempo era o ideal para se divertir. Cada vez que um amigo dela chorava em seus ombros por causa de um relacionamento desfeito, mais ela tinha convicção de estar no caminho certo. Ela tinha orgulho de nunca ter chorado por alguém.

Você é o meu melhor amor, foi o que ela ouviu de Adriana. Ela sorriu e as duas fizeram amor a noite toda. Como sempre, ela terminou tudo antes de se apaixonar e se machucar. Anos se passaram e ela havia esquecido desta frase. Ela estava voltando para casa e no rádio estava tocando uma música... Dear my love, haven't you wanted to be with me / And dear my love, haven't you wanted to be free / I can't keep pretending that I don't even know you / And at sweet night, you are my own / Take my hand / We're leaving here tonight / There's no need to tell anyone / They'd only hold us down / So by the morning's light / We'll be half way to anywhere / Where love is more than just your name...

De início ela não se lembrava onde havia escutado aquela música. É uma musica muito bonita e romântica e eu já escutei em algum lugar, ela pensou. A música não saia da cabeça dela e ela ficou a noite toda tentando lembrar onde havia escutado. Os dias foram passando e aquilo não saia da cabeça dela. Numa tarde de sábado ela estava na frente do computador ouvindo músicas e finalmente se lembrou. Como num flashback ela se recordou de tudo que ela e Adriana haviam passado juntas e ela começou a sentir um incômodo muito grande no peito. Ela nunca havia sentido aquilo antes. Ela achou que era porque havia comido demais durante o almoço e tomou um sal de frutas, mas o mal estar não passou. Ela foi ao hospital e relatou o mal estar para o médico. Ele receitou um remédio e recomendou repouso.

Já fazia duas semanas e ela continuava sentindo aquele incômodo no peito. Ela se consultou com um cardiologista e fez exames. A saúde dela era de ferro e não havia nada de errado com ela. Todos os amigos diziam que ela estava assim porque ela não estava se divertindo como antes, que ela precisava dar uns beijos e transar. Ela deu ouvido aos amigos e achou que talvez eles estivessem certos. Durante três semanas ela saiu e a cada noite ela conhecia uma cama diferente da sua. Mas em todas as manhãs, quando ela olhava para o lado, ela sentia aquele incomodo aumentar.
Ela passou a não ver graça nas baladas e até evitava sair com os amigos, mesmo que fosse para ir ao shopping. Ela se voltou para o trabalho e ficava até 9, 10 horas da noite trabalhando. Durante os fins de semana ela ia ao parque sozinha, pois assim ela não precisava conversar com ninguém. Se o celular tocava, ela não atendia. Em casa ela desligava o telefone para não ser incomodada. Seus amigos estavam preocupados com o sumiço dela e tentavam de todas as formas tirá-la de casa, sem sucesso. Ela alegava estar cansada demais por causa do trabalho e que tudo voltaria ao normal assim que ela fosse promovida.

Num belo dia ela recebeu uma visita inesperada. Ela estava em frente a televisão, mas ela não estava prestando atenção no que estava passando. A campainha tocou uma vez e ela não se levantou. Tocou pela segunda vez e ela começou a ficar irritada. Tocou pela terceira vez e ela estava nervosa o suficiente para levantar e xingar quem quer que estivesse tocando insistentemente a sua campainha. Quando ela abriu a porta ela deu de cara com Adriana. Um sorriso se abriu em seu rosto e seu coração começou a bater mais forte. Adriana viera entregar o convite de casamento dela, que aconteceria daqui dois meses. Aquele incomodo ficou maior e ela teve que se esforçar muito para não deixar transparecer que ela não havia gostado daquele convite.

Assim que Adriana partiu, ela sentou-se no sofá e começou a chorar. Ela não conseguia entender porque estava chorando. Afinal de contas, ela fora convidada ao casamento de uma ex dela, apenas isto. Ela já havia ido ao casamento de uma outra ex e nem por isto ela chorou. A partir deste dia, todas as vezes que ela via o convite ela chorava. Não agüentando mais tanto choro, ela decidiu tirar férias e foi para um país diferente. Esta seria a desculpa perfeita para não ir ao casamento. Por alguns dias ela conseguiu esquecer de todo choro, todo incomodo e finalmente voltou a sorrir. Ela até se envolveu com uma estrangeira pois sabia que elas jamais se veriam novamente.

Quando ela retornou para casa, a primeira coisa que ela viu foi o convite de casamento em cima de sua mesa. Para não permitir que todas aquelas sensações ruins voltassem, ela jogou o convite na lixeira. Ela comprou um presente bem bonito e mandou entregar na casa de Adriana, com um bilhete de desculpas por não ter comparecido ao casamento. Alguns dias depois Adriana foi até a casa dela devolver o presente, ela não aceitava o presente daquela forma pois ela achou impessoal recebê-lo das mãos de um mensageiro. Faça como você achar melhor, foi a resposta dela. As duas começaram a discutir e Adriana, não agüentando mais, beijou-a com força e vontade.

As duas rolaram pelo chão da sala e, após uma tarde inteira de amor, ela finalmente sentiu o que era estar apaixonada e o quanto ela havia desperdiçado ao não se permitir sentir amor por alguém.

FIM

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