Diário de Bordo, 02 de Maio de 2010
Sore demo iitte nandomo omotta
Many times I've thought that it's fine even like that
Anata wo dareka to SHEA shiteiru keredo
Although I'm sharing you with someone else
Soreja iya datte nandomo naiteru
Resenting it, I've cried countless times
Uso demo kiyasume demo atashi dakette itte
Even if it's just a lie to comfort me say that I'm the only one
Maybe baby
I wanna be your girl
(Maybe I wanna be your girl)
Maybe baby
(Maybe all I need is you)
All I need is you
- Be Your Girl, Chieko Kawabe
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Day foi para a casa da mãe domingo passado e deve voltar na próxima segunda-feira. Isto se traduz em 15 dias sem meu amorzinho. Este tempo sozinha está sendo bom para eu avaliar como seria morar sozinha. A casa não está bagunçada, há pouca louça para lavar, não há roupa espalhada pela casa e a sala está arrumadinha. Até que parece bom, não? Seria perfeito se a ausência da Day não significasse eu ficar boa parte do tempo sozinha na casa, não ver graça na minha própria comida, não ter ninguém para importunar na hora em que eu estou assistindo TV e o principal, dormir sozinha.
Eu gosto de chegar em casa e encontrar a Day fazendo o que quer que seja. Depois da gente se cumprimentar, conversamos sobre qualquer coisa, em determinado horário ela começa a preparar a janta, depois a gente toma banho e nos preparamos para dormir. É uma rotina, mas uma rotina gostosa que todo casal tem quando mora junto.
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Acho que nunca contei como foi "a" conversa com meu pai. Não foi uma conversa muito traumática e sim dura. Naquela época a fdp da minha ex morava na casa dos meus pais e o clima estava super pesado, basicamente por causa das atitudes dela. Meus pais tinham razão, ela não ajudava em nada nas tarefas diárias e era abusada. Naquela época eu não conseguia enxergar algumas coisas, hj eu vejo perfeitamente quem a fdp é (deu para notar como eu morro de amores por ela, não?).
No dia anterior à conversa meu pai e eu haviamos tido mais uma discussão. Ele havia deixado bem claro que ele sabia que a minha ex não era apenas minha amiga. Na hora eu fiquei muda pois, para mim, meu pai nunca enxergaria a verdade. Como eu levei um susto muito grande com as palavras dele, eu subi para meu quarto. No dia seguinte, mais calmos, conversamos novamente. Eu finalmente admiti que ela não era apenas uma amiga. Meu pai falou que me amava incondicionalmente e que me aceitava, mas que ele não aceitava aquele relacionamento porque ele não gostava dela (da fdp). No final da conversa nos abraçamos e tudo ficou bem.
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A melhor coisa que eu ganhei durante estes 31 anos de vida foi a aceitação e o amor incondicional da minha família (meus pais, meus irmãos, minhas cunhadas, as familias delas e a família da Day). Estar cercada por pessoas que sabem da escolha que você fez e te aceitam é uma das melhores sensações que alguém pode ter. Além deles, algumas poucas colegas de trabalho também sabem e aceitam na boa.
Lógico que eu não vou escancarar para os parentes que eu sou homossexual. Não vejo necessidade disto e tampouco tenho paciência para ouvir piadinhas grosseiras ou maldosas sobre a minha preferência (conhecendo os parentes, isto acabaria acontecendo). E outro fator que me ajuda a continuar com a minha decisão é que eu mantenho o mínimo de contato com eles, somente encontrando-os em casamentos ou funerais. Minha família também possui muito pouco ou nenhum contato com os parentes.
Isto me fez lembrar um dia quando estávamos falando sobre os parentes e meu pai falou que, se alguém fizesse uma piadinha que fosse sobre minha preferência, ele mostraria as "garrinhas" dele para a pessoa. Ele não usou estas palavras, mas este é o sentido da frase dele. Fofinho meu pai, não?










